"Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada;
mas quando não desejo contar nada, faço poesia."
Manoel de Barros - Livro Sobre Nada
"O momento em que, hipoteticamente, você sente que está andando nu pela rua, expondo demais o coração, a alma e tudo o que existe lá dentro, mostrando demais de si mesmo. Esse é o momento em que, talvez, você esteja começando a acertar. "
Neil Gaiman - O Discurso "Faça Boa Arte"
"...eso es lo que siento yo en este instante fecundo..."
Violeta Parra - Volver a Los Diecisiete
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Emprestando um poema de Bruna Beber.
Há pouco tempo atrás conheci os poemas da carioca Bruna Beber, poeta da novíssima geração e sobre quem vale muito a pena uma pesquisa mais detalhada.
Sugiro começar por aqui: http://g1.globo.com/platb/maquinadeescrever/2013/07/14/1570/
Reproduzo abaixo um poema de sua autoria que é um de meus preferidos.
Romance em Doze Linhas
Quanto tempo falta pra gente se ver hoje;
Quanto tempo falta pra gente se ver logo;
Quanto tempo falta pra gente se ver todo dia;
Quanto tempo falta pra gente se ver sempre;
Quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não;
Quanto tempo falta pra gente se ver às vezes;
Quanto tempo falta pra gente não querer se ver;
Quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais;
Quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu;
Quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer;
Quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.
.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Se eu fosse um nobre Egípcio
Se eu fosse um nobre Egípcio
Daqueles bem fodões mesmo,
Lá da antiguidade,
Levaria comigo para a pirâmide
Um livro do Pedro Nava,
Uma entrevista da Adélia Prado,
Uma coletânea dos Gershwin,
Outra, do Clube da Esquina,
Uma maquete qualquer do Frank Lloyd Wright,
A risada da mulher amada,
O perfume preferido de minha filha
E um bilhetinho seu.
Com desenho...
Levaria todos os meus defeitos
Pois podem servir de escambo
Num purgatório eventual.
Levaria qualidades também!
Vai que preciso de um Curriculum Vitae
Depois da morte...
Levaria as mais terrenas coisas:
Um vídeo do Victor contra o Tijuana,
As lembranças de todas as bobagens proferidas
Com os amigos vida toda...
Engraçadas ou constrangedoras.
Um postal antigo de Belo Horizonte
E um moderno...
Um postal de Chicago
Um de Lisboa
Um da Espanha
Um da Itália...
Levaria minhas caneladas na vida,
Minhas pequenas corrupções
(se é que elas tem tamanho).
Levaria uns pecados bem cabeludos
Para tirar do fundo da gaveta do sarcófago
E me vangloriar de vez em quando.
Levaria um buquê das vergonhas alheias
Que todos sentiram por mim
E colocaria bem na entrada de minha câmara.
Deixaria no bolso
(bolso de múmia)
Umas fotos de família
Para derreterem e fundirem-se comigo
Quando finalmente
Eu virar pó
E me reintegrar
Ao universo.
![]() |
| (Acervo pessoal) |
P.S.: até a presente data, 26/08/2019, a Pirâmide não me "chamou", então fiz alguns acréscimos da bagagem final que devo levar comigo...
segunda-feira, 24 de março de 2014
Esperança
A esperança deve ser
Semeada em tempos de paz
Cultivada em tempos de crise
E colhida em tempos de tragédia
E caos.
Ela é o combustível da vida.
Deito-me cansado
Ao relento
Lento
Pelos esforços repetidos,
Desperdiçados,
Mas consciente
De nunca tê-los
Realizado em vão.
Lá fora ventania.
As janelas batem.
E eu aqui dentro
Torcendo para o som
Da chuva chegar logo
E me embalar
Me preparar para a colheita
Que começa amanhã.
Ao nascer do sol.
.
domingo, 9 de março de 2014
Eu Só Quero o Silêncio
Eu só quero o silêncio
Das minhas músicas preferidas.
Não o silêncio físico e auricular
Mas o silêncio e quietude que
Me trazem à alma.
Quero o silêncio que vem das pinturas de Hopper.
Eu só quero o silêncio
Das grimpas das montanhas de minha terra.
Não o silêncio da solidão e do isolamento
Mas o silêncio dos ventos de lá
Que penteiam cada fio de meus cabelos.
Quero o silêncio do interior das bolhas de sabão.
Eu só quero o silêncio
Dos afagos da mulher amada.
Não o silêncio da rotina e do conformismo
Mas o silêncio da conversa que travamos
No entendimento dos olhares.
Quero o silêncio que vem das páginas do meu livro de cabeceira.
Eu só quero o silêncio
Do segundo anterior à criação,
O silêncio que precedeu o caos,
O big bang,
A explosão do gol de placa.
Quero o silêncio que faço durante minhas conversas com Deus.
Eu só quero o silêncio
Do breve intervalo entre as palmas
De um aplauso intenso.
Eu só quero o silêncio
Da lágrima solitária que escorre
Pela emoção incontida.
Eu quero o silêncio
Da sensação de dever cumprido.
Eu quero o silêncio
Da paz de espírito.
Só não quero mais
O silêncio das reticências...
![]() |
| (Edward Hopper: Nighthawks - 1942. The Art Institute of Chicago-Wikipedia) |
.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Last Chance
Te sinto sempre
Atravessando a rua
E sigo seu rastro
De perfume e pétalas
Até te perder
De vista e
Da memória
Te invento então
Em cada esquina
Em cada praça eu
Te procuro
E
Em cada passo
Ou momento
É todo seu
Meu pensamento.
Eu te busco
Sou incansável
Querendo ter
O que não quis
Virando o mundo
O improvável
A last chance
Pra ser feliz.
.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Fim
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Lírica
É como caminhar
De volta para casa
Em tarde-noite
Urbana e quente.
É como correr
E receber de frente
O vento fresco da
Chuva que se anuncia:
Alívio.
É como sentir
O aroma discreto
Do canteiro de hortênsias
Da calçada oposta.
É como transpor a rua
Sem carros.
É como deitar no asfalto
E viajar no firmamento:
Liberdade.
É como ouvir ao acaso
A indagação de um interfone:
"Quem é?"
E responder junto com alguém de lá:
"Sou eu...":
Identidade.
É assim sempre
Quando me lembro de você.
É assim sempre
Quando repito seu nome
Aqui dentro, em silêncio.
Em alto e bom tom.
| (acervo pessoal) |
.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Vou Com Sorriso Colgate
lá fora
o vento
virando folha
cá dentro
em cada mão
tenho uma
escolha
na maior das
solidões domésticas
dentes escovados
me encaro no espelho
novamente e
debruço-me
cotovelos apoiados
mãos no rosto
olhos baixos
fixos
na torneira mal fechada
conto as gotas
marcando passo das
batidas do cuore mio
uma a uma
ping...
ping...
pong...
ping...
ping...
pong...
quebro com isso
todos os outros
espelhos das outras
casas de minha vida
Januária
Paulo Piedade Campos
José Ribeiro
Da Bahia
todas elas
ruas passadas
águas passadas
que não movem
mais nada
penso:
mais um dia é
menos um dia
e saio para o trabalho
acelerado
menos mal: vou
de hálito fresco
e com o meu sorriso
Colgate a tiracolo.
.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Sem Tempo
Tenho um blog
Uns poemas
Uns escritos esparsos
Uma fome imensa
Um vazio
Um espaço
Tenho mais tempo não...
Nossa! Como morreu cedo
O Leminski
Pouco mais velho
Que hoje
Eu
Que hoje
Morro ainda em
Lentangustiagonia
Querendo saber
Um paradeiro:
Quem se vai primeiro
No derradeiro dia?
Será que vou eu?
Ou irá a poesia?
.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
amor
estremeço e
aconteço
toda vez que
te amanheço
eu te beijo e
enterneço
cada vez que
te anoiteço
.
domingo, 12 de janeiro de 2014
(In) Digestão
garimpo todos os dias
as palavras certas para
cada pessoa
e ocasião
separo-as míope, míope
como quem separa
joio do trigo
caroços de
arroz e feijão
vira e mexe
mastigo pedregulhos
cuspo pedras
cuspo cacos
de dente
e palavras erradas
nas horas erradas
tropeço nas etiquetas
mordo a língua
em desespero
me engasgo
com frases
me sufoco
em pensamentos
regurgito emoções
mal digeridas
cuspo no prato
onde todo dia mato
em longo e contínuo ato
minha fome de viver
.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Coração Salva
O tempo não para.
O tempo voa e leva junto
Meus cabelos,
E alguns fios de esperança,
Minha tolerância,
Algumas mágoas
Alguns arrependimentos
Umas poucas certezas
E as lembranças todas que tenho.
São quatro horas da manhã
E ainda não dormi.
Pelo volume de coisas
Em que tenho pensado nos
Últimos dias, parece que não
Dormirei mais.
A vida urge.
Não há tempo para descanso
E ainda tenho muito o que fazer.
Urge a vida
E o meu coração anda muito acelerado.
Tão acelerado que faz esterno e
Costelas pulsarem junto,
E com eles todo o corpo.
E aí,
Aí eu não durmo.
O meu coração rápido
Pulsa
Roda
Bate
Espreme
Esperneia e
Puxa.
Me puxa acorrentado
Do atoleiro
Do mundinho
Da caixinha preta de música
Que insisto em dar corda
Todos os dias
Para ouvir sempre
A mesma melodia irritante.
E eu lá.
Na ponta dos pés
Braços em arco sobre a cabeça.
Rodando bêbado,
Tropeçando nos rodapés
E voltando sempre para o meio
Da pista.
Do meu egoísmo estéril
E fatal.
Vem e me salva o coração.
É ele que não me deixa dormir.
É ele que de tanto pulsar
Me joga para fora da cama
Me faz vibrar como um
Diapasão...
E eu vibro
Estalo as taças de cristal,
Quebro as vidraças,
Estouro tímpanos,
Rompo barreiras
Mas ainda bato a cabeça na
Última etapa
Última fronteira
Na vitrine do mundo real.
Às quatro horas da manhã
Sem dormir
É o coração quem me salva.
É ele quem tem razão.
.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Minha mensagem de fim de ano
Nesta época do ano não costumo escrever muita coisa a não ser o trivial Feliz Natal e os "best wishes" tradicionais para familiares e amigos. Talvez por preguiça, talvez pela descoberta de que este período não represente motivo de tanta festa para muitas das pessoas que conheço. No meu caso por exemplo: sempre adorei Natal e detestei reveillon. Tenho meus motivos para isto assim como cada pessoa tem os seus para amá-los ou não.
Na retrospectiva íntima que todos fazemos cada vez que o fim de ano se aproxima, é comum separarmos as coisas boas das coisas ruins dos últimos 12 meses, aí então medimos e firmamos nossas promessas e resoluções para o ano novo.
Acho muito difícil fazer isto. Acho que o saldo final de todos os anos é sempre POSITIVO pois chegamos VIVOS aqui. Vencemos mais uma etapa.
Se pensarmos bem vivemos em 1 dia um resumo de todos os 365 dias do ano, com direito a dramas, alegrias, decisões, atitudes, mancadas e experiências de toda sorte, responsáveis pelo mundaréu de sentimentos que nos governam.
Acredito que cada momento vivido seja uma vitória. Que cada passo que damos é um passo à frente, que cada respirada, que cada sístole e diástole de nossos corações são edificantes. Que a experiência de vida por si própria nos abençoa com tudo que precisamos para sermos melhores a cada dia.
É assim que construímos nossas esperanças de um ano novo melhor e invariavelmente, cheio de felicidades.
Mas o que é felicidade afinal?
Segundo o professor Antônio de Oliveira, um velho amigo, "felicidade é não fugir de nós mesmos."
Steve Jobs no seu inesquecível discurso para os formandos de 2005 da Universidade de Stanford (EUA), dentre outras coisas importantes disse: "... acima de tudo, tenham a coragem de seguir seu coração e suas intuições, porque eles de alguma maneira já sabem o que vocês realmente desejam se tornar. Tudo mais é secundário."
Acredito piamente que INTUIÇÃO é a voz de Deus em nossos CORAÇÕES, sugerindo a toda hora os rumos que devemos tomar.
Minha mensagem para o Natal e ano novo é esta: sejamos autênticos todos os dias. Sejamos honestos consigo mesmos pois só dependemos disso para alcançarmos nossos anseios e expectativas.
Não nos deixemos de lado e tão importante quanto isso é não deixar de se importar também com o próximo.
Tenhamos sempre a consciência de que somos modelo e referência para todas as pessoas que nos cercam e que nossa missão no mundo é cumprir bem esse papel.
Residem aí a nossa força e nossa fé para encarar um ano inteiro. 365 dias por ano.
Feliz Natal!
Feliz 2014!
.
domingo, 8 de dezembro de 2013
sem título
Foi das piores semanas
Que passei na vida.
Cheia de encontros com
O que tenho de pior.
Com o melhor de mim
Escorrendo pelos dedos
Tal qual areia de ampulheta.
Reencontros com
Medos e reticências,
Além do existencialismo
Retrógrado,
Insistindo em voltar e
Se instalar...
Tudo ruim o tempo todo e hoje
É um péssimo dia para escrever.
Foi um sábado infernal
De calor e estresse.
Eu derretendo em suor
E em cálculos complexos
De volta aos bancos da escola
Tentando melhorar de vida
E a vida rolando lá fora,
Minha filha crescendo
E vivendo,
Logo ali mas longe de mim,
Desafiando olhares
Vencendo passarela.
Veio a chuva à tarde,
Torrencial e fria,
"I'll do my crying in the rain"
Prometi, cantando baixinho...
Não cumpri
E voltei pra casa bem seco.
O saldo do dia: um belo almoço
E uma pamonha.
Me senti um Rei...
Em casa,
Descansando,
Almoço e pamonha em mente
Vejo na TV a casa do Oscar
(Pedro do Rio),
Simples
Quase uma tenda.
Singela
Mínima
E impressionante.
Tão impressionante
Que me a(s)cendeu,
Que me trouxe às mãos
Caneta, papel
E poema,
Mesmo sendo hoje
Um péssimo dia para escrever.
.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Sobre o que deixamos para trás (ou para frente).
"Papai, porque existem pessoas marrons e pessoas não marrons?"
(Joana, aos 4 anos)
Me peguei pensando nos últimos dias sobre o que deixamos de mensagem para as pessoas que nos cercam e, inevitavelmente, sobre o que deixaremos para trás quando partirmos deste mundo.
No início me assustei: seria preocupação excessiva com a minha imagem perante os "outros"? Insegurança? A "idade" chegando? Pode até ser, mas este pensamento é fruto maior das reflexões de um pai sobre qual é a maneira mais adequada de se educar e instruir sua filha.
Concluí que não há fórmula ou receita exata para isto.
Nossa história, nossas relações familiares e amizades, nossa relação com o mundo e com o ambiente que nos cerca nos ensinam muito e o tempo todo, sem que, necessariamente, percebamos o quanto estamos aprendendo.
Por conta dessa reflexão e ativando minha mania de vasculhar as lembranças e o passado, visitei pessoas com as quais convivi e que se foram, ora por conta da vida, ora por conta da morte. Percebi que carrego um pouco delas em tudo que sou e em tudo que faço. Isso vale também para aquelas pessoas presentes no dia a dia, pois conforme disse, não há regras a seguir.
O tio Maurício, marido da tia Tita por exemplo: me viu fazendo palavras cruzadas quando tinha uns onze ou doze anos de idade. Eu usava letras de forma e ele deu a seguinte sugestão: ô Alex, faz o "D" desta maneira, senão ele fica parecendo um "O" ( pegou na minha mão e foi refazendo a letra). Foi tão significativo, tão paternal, que até hoje eu me lembro dele sempre que faço um "D" com letra de forma. Ele está vivo em mim, diariamente, quase 20 anos depois de ter morrido.
O outro tio Maurício, irmão de minha mãe, arquiteto com o qual trabalhei por 14 anos e que se foi há 8: são inúmeros os momentos em que o trago de volta durante o meu dia de trabalho. Não é raro pensar comigo mesmo: ô magrelo, inverte essa planta aqui e coisa e tal... como ele me dizia no escritório. Hoje em dia, quando vou pedir uma coisa para a minha filha ou chamá-la para ver algo, sempre solto um "ô magrela..."
Ainda com a minha filha, sempre que preciso ser mais enérgico para chamar-lhe a atenção, o faço como meu pai fazia quando eu era criança: do nada me percebo estático, com a mesma expressão séria com a qual me olhava, e, se bobear, dizendo as mesmas palavras. Só não tenho os mesmos olhos verdes que ele tem... Falei isso hoje na hora do almoço e ele achou muita graça.
Não perco a oportunidade de dizer às pessoas o que representam para mim, o quanto me ensinaram e ensinam e em que momento isso ocorreu. É gratificante para ambos.
Ficaria horas a fio lembrando de fatos, situações e de muitas outras pessoas com as quais convivo ou convivi e que ajudaram a formar o que sou: parentes, amigos reais e virtuais, namoradas, professores, colegas de trabalho e, para não ser injusto e esquecer de alguém, paro por aqui.
Hoje a Joana está com quase 8 anos e gosta das mesmas músicas que eu, quer ser arquiteta como eu, gosta de ser a goleira no futebol da escola e até torce (fanaticamente) pelo mesmo time. São coisas que podem mudar com os anos, mas o que importa é frisar o quanto uma criança nos observa e nos copia.
Daí a reflexão.
Daí as lembranças.
Finalizando, percebo que somos uma colcha de retalhos, um mosaico, uma rapsódia composta pelo que colhemos da vida. Somos também aquilo que semeamos. Saber alinhavar todas as críticas e informações, juntar todas as lembranças boas e ruins e passá-las à frente de maneira responsável é a nossa mensagem, nossa música, nossa obra levando em conta o velho clichê: "viver é uma arte."
P.S.: respondi à Joana dizendo que Deus fez as pessoas da mesma maneira como fez o restante da natureza. Que se ela observasse bem, veria árvores altas, baixas, umas mais tortas, outras mais retinhas, com folhas gordas, outras com folhas fininhas. Que se olhasse para os canteiros da Praça da Liberdade (estávamos lá na hora da pergunta), veria cada um com um tipo de flor e que todas elas combinadas, árvores e flores diferentes, formavam um conjunto bonito. Como seria sem graça se todas as árvores fossem iguais, pois as florestas não teriam surpresas. Como seria sem graça se os jardins tivessem flores de uma só cor, pois logo iríamos nos cansar de olhar para elas. Imagina então se as pessoas tivessem a mesma cara, mesma cor, os mesmos cabelos, a mesmas vozes...
Se a resposta teve efeito eu ainda não sei mas que teve "ajuda" de muita gente, isso teve...
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