Cora Coralina
Seu mundo é de cores
Versos de anilina
O rio: Vermelho
A serra: Dourada
Melancolia blue...
Na cidade Goiás
A vida é você
Quem cura
Cora
Coralina...
http://www.releituras.com/coracoralina_menu.asp
.
"Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada;
mas quando não desejo contar nada, faço poesia."
Manoel de Barros - Livro Sobre Nada
"O momento em que, hipoteticamente, você sente que está andando nu pela rua, expondo demais o coração, a alma e tudo o que existe lá dentro, mostrando demais de si mesmo. Esse é o momento em que, talvez, você esteja começando a acertar. "
Neil Gaiman - O Discurso "Faça Boa Arte"
"...eso es lo que siento yo en este instante fecundo..."
Violeta Parra - Volver a Los Diecisiete
quinta-feira, 22 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
No (thing)
Não quero conversa hoje.
Não quero ver,
Não quero ouvir,
Não quero falar,
Não quero luz ou sombra,
Não quero nada.
Aliás,
Nada é simplesmente tudo
Que me acontece agora.
.
Não quero ver,
Não quero ouvir,
Não quero falar,
Não quero luz ou sombra,
Não quero nada.
Aliás,
Nada é simplesmente tudo
Que me acontece agora.
.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Monticiello
Coração em obras,
Sem data de entrega.
Em fevereiro talvez...
Coração aos pulos
Perante o abismo imenso
E as três torres ali,
Impassíveis e meio de lado,
Vendo o sol nascer todos os dias,
Vendo a chuva chegar
Vendo o serpentear dos caminhos
Por entre as serras
E cumes do lugar...
Num passar de olhos Rola Moça
Ouro Preto
Catas Altas
Piedade e Curral num segundo apenas,
E fechando o giro
O cerrado imenso e interminável
Com palácios ao longe
E civilização (?)
E céu azul...
Vontade de tocar o céu
Com a ponta dos dedos,
Na ponta dos pés...
Montanha
Morro
Monte
Céu
Monticiello.
.
Sem data de entrega.
Em fevereiro talvez...
Coração aos pulos
Perante o abismo imenso
E as três torres ali,
Impassíveis e meio de lado,
Vendo o sol nascer todos os dias,
Vendo a chuva chegar
Vendo o serpentear dos caminhos
Por entre as serras
E cumes do lugar...
Num passar de olhos Rola Moça
Ouro Preto
Catas Altas
Piedade e Curral num segundo apenas,
E fechando o giro
O cerrado imenso e interminável
Com palácios ao longe
E civilização (?)
E céu azul...
Vontade de tocar o céu
Com a ponta dos dedos,
Na ponta dos pés...
Montanha
Morro
Monte
Céu
Monticiello.
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Pálidos, Soturnos e Noturnos
Pálidos
Soturnos
E noturnos
Vagamos por nossos
Corredores
E escadas
No escuro.
Arqueados
Sob o peso de mil
Pedras-pomes
Que são leves
Mas volumosas
Que nos arranham
A pele
E varrem os calos
Dos pés cansados
De andar à toa.
Nosso passado feliz
Ajuda a amargar mais
Os dias difíceis
E a zerar
As expectativas
De sorrirmos novamente
Uns para os outros,
Como fazíamos
Antigamente...
Só nos resta
Ser otimistas
E aviar a receita
De um bem-viver
Imaginário,
Posto que possível.
.
Soturnos
E noturnos
Vagamos por nossos
Corredores
E escadas
No escuro.
Arqueados
Sob o peso de mil
Pedras-pomes
Que são leves
Mas volumosas
Que nos arranham
A pele
E varrem os calos
Dos pés cansados
De andar à toa.
Nosso passado feliz
Ajuda a amargar mais
Os dias difíceis
E a zerar
As expectativas
De sorrirmos novamente
Uns para os outros,
Como fazíamos
Antigamente...
Só nos resta
Ser otimistas
E aviar a receita
De um bem-viver
Imaginário,
Posto que possível.
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domingo, 29 de janeiro de 2012
Sobre As Dores (2009)
Os joelhos doem:
O são, direito
E o esquerdo, operado do futebol.
O futebol que não jogo mais
Me dói.
O estômago dói:
Tem um brejo lá dentro.
Me dói a coluna:
Peso dos anos,
Peso da mente,
Peso do peso que carrego
E que se chama dúvida.
Me dói a vista: cansada.
Me dói não ter vista mais
Para os adjetivos da vida.
Vejo só os substantivos.
Não vejo a cor do céu,
O rastro dos aviões a jato,
As estrelas, que sei todas,
Ou sabia...
Não vejo a flor
Não vejo mais meus livros
De leitura salvadora e companheira.
Meus ouvidos doem muito.
Quem me dera não ter de ouvir tanta
Merda por aí.
Minhas músicas silenciaram,
Todas tão boas,
Tão alimento para a alma,
Mas os discos estão lá
Mudos.
Do que adianta?
Do que adianta reclamar?
Procure algo te que cure.
.
O são, direito
E o esquerdo, operado do futebol.
O futebol que não jogo mais
Me dói.
O estômago dói:
Tem um brejo lá dentro.
Me dói a coluna:
Peso dos anos,
Peso da mente,
Peso do peso que carrego
E que se chama dúvida.
Me dói a vista: cansada.
Me dói não ter vista mais
Para os adjetivos da vida.
Vejo só os substantivos.
Não vejo a cor do céu,
O rastro dos aviões a jato,
As estrelas, que sei todas,
Ou sabia...
Não vejo a flor
Não vejo mais meus livros
De leitura salvadora e companheira.
Meus ouvidos doem muito.
Quem me dera não ter de ouvir tanta
Merda por aí.
Minhas músicas silenciaram,
Todas tão boas,
Tão alimento para a alma,
Mas os discos estão lá
Mudos.
Do que adianta?
Do que adianta reclamar?
Procure algo te que cure.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Miss You! Pampulha
Miss you!
Míssil.
Em minha vida passou,
Voou...
Intangível!
Impossível.
E a minha vida ousou,
Amou...
Saudade!
Maldade.
Em minha vida marcou,
Parou...
Abandono!
Desabono.
E a minha vida acabou,
Sarou.
.
Míssil.
Em minha vida passou,
Voou...
Intangível!
Impossível.
E a minha vida ousou,
Amou...
Saudade!
Maldade.
Em minha vida marcou,
Parou...
Abandono!
Desabono.
E a minha vida acabou,
Sarou.
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sábado, 14 de janeiro de 2012
Amo Há Milênios
Como é antigo
O meu coração...
Amo há milênios!
Trago no peito
Uma carga de sentimentos
De muitas outras vidas
(que não são minhas)
E que deixaram resquícios
Em meu coração ancestral:
Migalhas pela História...
E eu fui viajando,
Catando
Aqui
Ali
Acolá...
Resquícios de amor
Dentro do peito.
Coração em migalhas...
.
O meu coração...
Amo há milênios!
Trago no peito
Uma carga de sentimentos
De muitas outras vidas
(que não são minhas)
E que deixaram resquícios
Em meu coração ancestral:
Migalhas pela História...
E eu fui viajando,
Catando
Aqui
Ali
Acolá...
Resquícios de amor
Dentro do peito.
Coração em migalhas...
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sábado, 7 de janeiro de 2012
Tenso
Encontro-me em permanente
estado de tensão:
lágrima na ponta da pálpebra
esperando uma batida mais forte
do coração
para poder pular fora.
Triste e descrente.
.
estado de tensão:
lágrima na ponta da pálpebra
esperando uma batida mais forte
do coração
para poder pular fora.
Triste e descrente.
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
O Que Posso Dizer
O que posso dizer sobre mim mesmo
A não ser que sou o conjunto de
Todos os medos que me compõem,
De todos os erros que me movem
E que me param,
E que parado estou mais errado
Do que nunca.
Posso dizer que acerto também,
Nem sempre na mosca,
Que sou destemido também,
Mas não a toda hora.
Posso dizer que não sou agiota
De sentimentos e emoções,
Pois os entrego sempre
Sem nada cobrar de volta.
Posso dizer que me importo
Com pessoas desimportantes
E que isso me faz mal.
Posso dizer que me autoflagelo
Por coisas que não valem a pena
E que isso dói muito.
Posso dizer que amo alguém
E que existe um Himalaia de silêncio
Entre nós.
Posso dizer que meus amigos me completam.
Mesmo os invisíveis.
Posso dizer que minha família é nota 10.
Posso dizer que a nostalgia e a melancolia
Me tomam muito tempo.
Posso dizer que a felicidade vem em ondas
E a tristeza também.
Que há maré alta tanto de uma quanto de outra,
E que a pesca nesse mar é e sempre será farta.
Posso dizer que sou mais otimista
Do que pessimista, embora não pareça.
Posso dizer que sou palhaço sem circo,
E que palhaços sempre choram nas coxias.
Posso dizer que nem tudo são flores
Mas que é nosso dever semeá-las.
Posso dizer que sou calado sim senhor!
E que meu silêncio sempre fala alto.
Posso dizer sempre um monte de coisas
Sem precisar abrir a boca.
A não ser que sou o conjunto de
Todos os medos que me compõem,
De todos os erros que me movem
E que me param,
E que parado estou mais errado
Do que nunca.
Posso dizer que acerto também,
Nem sempre na mosca,
Que sou destemido também,
Mas não a toda hora.
Posso dizer que não sou agiota
De sentimentos e emoções,
Pois os entrego sempre
Sem nada cobrar de volta.
Posso dizer que me importo
Com pessoas desimportantes
E que isso me faz mal.
Posso dizer que me autoflagelo
Por coisas que não valem a pena
E que isso dói muito.
Posso dizer que amo alguém
E que existe um Himalaia de silêncio
Entre nós.
Posso dizer que meus amigos me completam.
Mesmo os invisíveis.
Posso dizer que minha família é nota 10.
Posso dizer que a nostalgia e a melancolia
Me tomam muito tempo.
Posso dizer que a felicidade vem em ondas
E a tristeza também.
Que há maré alta tanto de uma quanto de outra,
E que a pesca nesse mar é e sempre será farta.
Posso dizer que sou mais otimista
Do que pessimista, embora não pareça.
Posso dizer que sou palhaço sem circo,
E que palhaços sempre choram nas coxias.
Posso dizer que nem tudo são flores
Mas que é nosso dever semeá-las.
Posso dizer que sou calado sim senhor!
E que meu silêncio sempre fala alto.
Posso dizer sempre um monte de coisas
Sem precisar abrir a boca.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Florbela Espanca
A dor, no início Espanca
A flor que a Bela espanta.
E a flor, outrora branca,
Torna-se rubra e santa:
Suas pétalas caem,
Os espinhos sobressaem
Provocam profundo corte.
Coitada da flor sem sorte...
À noite ronda-lhe a morte.
Mas logo ao chegar o dia,
Começa a escrever poesia,
De novo sente-se forte.
.
A flor que a Bela espanta.
E a flor, outrora branca,
Torna-se rubra e santa:
Suas pétalas caem,
Os espinhos sobressaem
Provocam profundo corte.
Coitada da flor sem sorte...
À noite ronda-lhe a morte.
Mas logo ao chegar o dia,
Começa a escrever poesia,
De novo sente-se forte.
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sábado, 10 de dezembro de 2011
Carências
Eu hoje estou carente:
Carente de um abraço
Que ainda não dei
De tantas palavras
Que não te falei
Carente de olhares
Que desperdicei.
Carente estou
Do tempo passado
Que nunca dispus
Do tempo futuro
Que a luta faz jus
Carente estou de um pouco de luz.
E ainda que hoje
Quem amo me abrace,
Ainda que hoje
A vida mudasse,
Ainda que hoje
A carência cessasse,
Carente estaria de um beijo em tua face.
.
Carente de um abraço
Que ainda não dei
De tantas palavras
Que não te falei
Carente de olhares
Que desperdicei.
Carente estou
Do tempo passado
Que nunca dispus
Do tempo futuro
Que a luta faz jus
Carente estou de um pouco de luz.
E ainda que hoje
Quem amo me abrace,
Ainda que hoje
A vida mudasse,
Ainda que hoje
A carência cessasse,
Carente estaria de um beijo em tua face.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
O Barco Vazio
Sozinho em meu
mundo,
qual barco vazio e ancorado
ao vento
que lhe impele e não
sai do lugar,
empurrando, empurrando
forte,
esticando as amarras
dissolvendo o tecido
das bandeiras,
fenecendo aos poucos,
morrendo sempre
no final.
.
mundo,
qual barco vazio e ancorado
ao vento
que lhe impele e não
sai do lugar,
empurrando, empurrando
forte,
esticando as amarras
dissolvendo o tecido
das bandeiras,
fenecendo aos poucos,
morrendo sempre
no final.
.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Imortal
Talvez ainda nasça
Quem te ama
E te admira
Para além de onde a vista alcança
Bem além de onde a vida mira.
Recorda-te com carinho
De quem te amou
E admirando,
Percorrendo seu caminho
Vai buscando, vai buscando...
Busca o bem, seu ideal
Busca andar sempre pra frente
Busca ser sempre Imortal
No coração de toda a gente.
E ao chegares ao fim de tudo
Terás passado o portão
Que fica além da vista, de toda a vida,
Terás entrado um coração.
.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Solidão e Déjà Vu
Num dia de pressentimentos
Desde o início do dia,
Num dia em que vi minha tia,
Tão triste
Desde o início do dia,
Não sei se pelo peso das sacolas,
Ou por saber de minha história,
Ou então pelos problemas de lá...
Num dia em que deixei minha noiva chorando,
Cheia do mundo,
Cheia dos outros,
Cheia de nada por dentro,
Num dia de nuvem-aura escura e baixa,
Dentro de mim e de minha casa,
Desde o início do dia,
Leio pela enésima vez um livro
Que me arrebata sempre: Pedro Nava...
Num dia de noite insone,
Minha cama no sofá da sala,
Sem saber se vou a Norte Sul Leste Oeste,
Se piloto ou Co-piloto,
Se caso ou compro bicicleta,
Num dia de infiltração no pulso esquerdo,
De pulso direito rodilhando mão e letras
E solidão...
Num dia em que vejo todos em casa sós,
Minha tia só, minha noiva só, eu sozinho,
Diinteiro e noitinteira,
Peço a Deus que venha e vele,
Pule de ouvido em ouvido sussurrando a todos
O que fazer do dia seguinte,
Desde o início...
Só.
BH-madrugada 26/04/2005 déjà vu de hoje, madrugada 29/11/2011.
.
Desde o início do dia,
Num dia em que vi minha tia,
Tão triste
Desde o início do dia,
Não sei se pelo peso das sacolas,
Ou por saber de minha história,
Ou então pelos problemas de lá...
Num dia em que deixei minha noiva chorando,
Cheia do mundo,
Cheia dos outros,
Cheia de nada por dentro,
Num dia de nuvem-aura escura e baixa,
Dentro de mim e de minha casa,
Desde o início do dia,
Leio pela enésima vez um livro
Que me arrebata sempre: Pedro Nava...
Num dia de noite insone,
Minha cama no sofá da sala,
Sem saber se vou a Norte Sul Leste Oeste,
Se piloto ou Co-piloto,
Se caso ou compro bicicleta,
Num dia de infiltração no pulso esquerdo,
De pulso direito rodilhando mão e letras
E solidão...
Num dia em que vejo todos em casa sós,
Minha tia só, minha noiva só, eu sozinho,
Diinteiro e noitinteira,
Peço a Deus que venha e vele,
Pule de ouvido em ouvido sussurrando a todos
O que fazer do dia seguinte,
Desde o início...
Só.
BH-madrugada 26/04/2005 déjà vu de hoje, madrugada 29/11/2011.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Pra Semana
Atravessar os umbrais
da memória
num domingo à noite
não é coisa que se faça
impunemente...
mais uma semana
bate à porta.
Tenho que produzir.
Preocupo-me
pois os dias perdem
seus nomes/rótulos
símbolos, seqüências:
não mais
segunda primeirodiadasemana,
terça demorapassar,
quarta futebolnatevê
quinta prelúdio da
sexta gloriosa,
vazia...
Passam a ser apenas dias,
um após o outro,
implacáveis em seu
compasso acentuado
tempo-espaço
inexorabilidade
dia-noite-dia-noite.
Os dias viram
otimismo
preguiça
necessidade
fato consumado
otimismo de novo.
Busco produzir mais
e libertar-me
de minhas próprias
amarras, medos...
Vejo progressos,
pequenos,
mas significativos,
e vibro com eles.
Minharquitetura
tão combalida
ganhou hoje mais
um tijolinho
em sua
Evolução.
Hoje já é segunda,
tenho que dormir...
.
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