"Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada;
mas quando não desejo contar nada, faço poesia."
Manoel de Barros - Livro Sobre Nada
"O momento em que, hipoteticamente, você sente que está andando nu pela rua, expondo demais o coração, a alma e tudo o que existe lá dentro, mostrando demais de si mesmo. Esse é o momento em que, talvez, você esteja começando a acertar. "
Neil Gaiman - O Discurso "Faça Boa Arte"
"...eso es lo que siento yo en este instante fecundo..."
Violeta Parra - Volver a Los Diecisiete
sábado, 15 de junho de 2013
Sobre Ontem à Noite
Apartamento vazio.
Quarto quieto.
Uma vontade imensa
De dizer: te amo!
Abro os olhos e encaro
A cama desarrumada,
Retrato de nossa
Passagem,
De nosso amor
De nossa noite
Anterior à sua partida.
Suas fotos pelos móveis
E paredes
Já não me bastam.
Durmo abraçado
Ao seu travesseiro
Ao seu cheiro
À sua lembrança...
Tenho ainda mais vontade
De dizer: TE AMO!
Para obter a resposta
De sempre:
“TE AMO MUITO!”
.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Não Cabe Em Mim
Não cabe em mim
O grito
Gutural
Visceral.
Não cabe em mim
O gesto
Infante
Primordial.
Não cabe em mim
O afago
Suave
Natural.
Não cabe em mim
O beijo
Intenso
Animal.
Não cabe em mim,
Não cabe.
Amor,
Em mim,
Não acabe.
.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Leaving May (soulmate)
O meu desejo hoje
Era escrever-te o poema
Olhando nos olhos...
Os muitos maios que vivi
No entanto
Me dizem: não!
Escreve-o d'outra forma,
Olha só o coração!
E assim, obediente,
O faço.
Ainda que como arquiteto
Não me saia fácil um projeto,
Tampouco fácil me sai
Um poema...
Eu sou o que escrevo.
Eu escrevo o que sou.
Soul.
Sem tirar,
Nem por.
E assim me dou,
A ti, soulmate...
.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Inco-insistência
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Olhar Seu Olhar
Eu caminho ruafora
Cabeça baixa
Olhandochão
Pra nunca ver
Olhar
Procurar (e achar)
Seu olhar
Nos olhos mil
Que ve(e)m
Passando
Voando
Enxame em
Minha direção.
.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Rede, Estrelas, Pensamentos e Flores
Sinceramente,
Não sei se passo
Ou se lhe dou
Um beijo.
Não sei se
Lhe mando flores
Ou se lhe digo
Flores.
Não sei se
Converso
Ou se desconverso.
Não sei se
Sinto
Ou não sinto.
Sinceramente,
Sinto.
Garota que vem do Sul,
Desce da rede!
Deixa as estrelas em paz!
Olhando-as dessa maneira
Você não sabe do é capaz.
É bem provável que
Uma delas você atraia
Em forma de estrela cadente
E eu, deitado na praia,
Perdido em coisas da mente,
Na hora exata em que ela caia
Farei um pedido somente:
Menina, desce da rede
Venha pensar comigo...
No fundo do coração
Há um lugar alto,
Um bosque de eucaliptos
E alguém para
Sempre dizer
Flores
Ao pé do seu ouvido.
(Goiânia-1997)
.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Leaving April (Beauty and the Beast)
É exatamente porque vivemos
Entre as feras
Que devemos nos juntar a elas.
Seja no trabalho
Na escola ou
Na própria família,
As feras estão à solta
Com as mais diversas caras
As mais diversas aparências
Nos exigindo
Nos demandando força
E disposição.
Não importa se ela é bonitinha
Não importa se ela é horrenda
Não importa se é criança ou adulto
As melhores caras
Os menores corpos
Podem esconder as maiores feras.
Fera é fera.
E neste caso o que vale
É a fera I-N-T-E-R-I-O-R.
Então? Como elas atacam?
Mostrando todos os dentes.
Como devemos "atacar"?
Mostrando todos os dentes
Em sorriso confiante que
Desarma e conquista.
E que não falemos mais em
Matar um leão por dia,
Porque isso é atentar
Contra a própria espécie,
Contra a própria vida,
Contra o que devemos sempre ser:
Feras.
.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
B.H. 4:30 A.M.
Um trem inaugura as manhãs
Em Belo Horizonte.
Ele vem do Leste
Quando ainda é escuro
E a cidade está quieta.
Ele vem do oriente
Onde o sol nasce
Porém, vem mais rápido
Que o sol.
Passou por terras onde
Já é dia,
Vem rangendo trilhos
Chicoteando vagões lotados
Que trazem
Em seu bojo os sons,
O movimento de uma cidade
Despertando:
Carros ao longe
Ônibus iniciando viagens
Motocicletas
Vozes descendo a rua
Passos
Burburinho distante
Os primeiros pássaros...
Os primeiros passos
Do dia.
Tudo isto acondicionado
Em cada vagão.
O trem finalmente vem
Passa a Estação Central
E dispara seu apito poderoso
...........................................!
Cruza a Januária,
Os ruídos aumentam
E cada vagão que passa
(Sob os olhos atentos do Conde)
Libera para o ar
Toda a sua carga sonora.
Um de cada vez:
Primeiro os carros ao longe
Os ônibus, motocicletas...
E o último
A carga dourada
Dos primeiros raios
De aurora.
O trem passa direto
Segue para o Oeste
Onde o dia ainda não nasceu
Leva consigo carga renovada
E mais uma cidade
Acordada.
Em ação.
E o dia chega
Então.
![]() | ||
| B.H. Rua Januária, anos 1920. Ao fundo, rua da Bahia. |
.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
fonte da saudade
eu sinto uma saudade crônica
saudade não sei mais de quê
saudade que vem co'uma tônica
de ser sempre eu e você
saudade a coisa esquisita
saudade não sai do lugar
saudade o mito fabrica
de ter por quem sempre esperar
saudade de quem já partiu
saudade de quem já não vem
saudade a vida atraiu
pro peito o peito de outrem
quisera não ter mais saudade
quisera não ter que lembrar
quisera ter serenidade
quisera parar de amar
.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Dia Negro VI - Luz
Deus, neste ano de 2001
Mostrou-me sua face
Através de uma pessoa querida
Que me ensinou muito...
Passei a vê-Lo
Em atitudes
Nos fatos e
Na seqüência
Dos acontecimentos.
Deus está presente
Em tudo
E principalmente
Em nossos atos.
Nossa intuição é Deus
Que nos guia,
Que nos providencia
Fé
Para fazermos
De tudo.
Para seguirmos em frente.............
![]() |
| "O Semeador" - Van Gogh (1880) |
quarta-feira, 27 de março de 2013
Paralela
A calçada estreita e reta
Da rua Campanha
É lança afiada
Atravessada
Em meu peito
Que verte memórias
Nascidas
Vividas
E adormecidas
A uma paralela dali.
.
sábado, 23 de março de 2013
Leaving March ou O Samba do Crioulo Doido
Enchi o saco de mim mesmo.
Tentei ser quem não era,
Não fui um,
Nem outro
E a vida se encarregou
Do resto.
Cuspindo cacos de dentes
E deixando ao largo
Memórias secas e esfareladas
Como as migalhas
De João e Maria,
Singro a pé
O bairro Anchieta.
Sangro os pés
Numa via sacra maldita
Samba
De uma nota só,
De instrumento só
Reco reco
Reco reco meço
Recomeço...
Reco reco
Reco reco meço
Recomeço...
E meço.
Meço todas as distâncias,
Meço todos os caminhos,
Meço todas as sombras,
Meço as ruas e avenidas,
Meço a altura dos prédios,
E o que resta de casas,
Meço as pessoas
E suas conversas.
Meço o imensurável,
Palmo a palmo,
Tim tim por tim tim
A cada passo um
Pensamento,
Uma lembrança,
E uma lambança.
Ao reco reco meço
Junta-se agora instrumento outro:
Tamborim surdo tarol,
Caixa toráxica de percussão
E repercussão:
Mestre Sala
Meu Coração.
.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Meu Coração Disparou
Um dia fui passear
De avião
E disparou meu
Coração!
Então, comecei
A fazer uma
Oração.
Um dia me deitei
No chão
E vi no céu um
Grande anel.
Então, desenhei
No papel.
Joana Lessa Campos
(para o sarau da escola - 21-03-2013)
terça-feira, 19 de março de 2013
Decreto
Decreto hoje que,
Por questão de sobrevivência,
Não interiorizarei mais
As minhas saudades.
Impermeabilizarei
O cérebro
Para que fiquem
Todas contidas
No campo da razão.
O mais distante possível
Do coração.
.
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